REFÉNS DO TEMPO

A pressa fez do homem um refém do próprio tempo. Há milhares de anos nossos ancestrais viviam de acordo com as leis naturais do tempo. No sol, saiam para caçar. De noite, descansavam. Há poucas décadas ainda era assim. Não havia tecnologia, os trabalhos eram braçais.

Um pouco de história: Pouco a pouco, desde a invenção da roda que segundo evidências de veículos com rodas datam da metade do quarto milênio a.C., que mesmo assim somente funcionou de verdade quando o homem conseguiu domesticar animais, a começar pela lhama, mas que não se espalhou para muito além dos Andes até a chegada de Colombo. Antiguidades da Núbia usavam a roda para cerâmica e roda de água. A invenção da roda então ocorreu no final do Neolítico, e pode ser vista em conjunção com outros avanços tecnológicos que deram início a Idade do Bronze. Note que isso implica na passagem de vários milênios sem roda mesmo depois da invenção da agricultura e da ceramica. A falta de desenvolvimento das ruas impediu uma ampla adoção da roda para transporte até o século XX nas áreas menos desenvolvidas.

E neste século, quando nasci em 1972, havia muitas rodas por aí, de todo tipo. Eu ainda tive o privilégio de subir em uma carreta puxada por bois na estância do meu pai. Eram bois lindos, rechonchudos, mansinhos como um gatinho de colo, o Estrela e Pimenta, íamos ao mato buscar lenha na carroça com boi de canga ao som do recitar do peão condutor que dizia: Estrêêêla…Pimêêênta. Uma sinfonia para os ouvidos de uma criança de 5 anos. Nessa época já existiam carros, moinhos, aéreos, estradas, e a roda evoluiu junto com o mundo. Atualmente, minha mala tem rodinhas que giram 360 graus, muito melhor que a mala de rodinhas que eu tinha no ano de 2000, que rodavam na reta somente. Mas o que tem a ver a roda com você? A evolução que veio junto com a roda impactou você!

Com a evolução, os relógios deixaram de ser o tempo e passaram a pontuar muitas coisas a fazer. A cada dia que passa parece que falta tempo para fazer aquilo que desejamos. Prazos, compromissos, reuniões, solicitações, urgências, uma rotina corrida sem antecedentes. Os encontros deixaram de ser intensos e passaram a serem virtuais. Agora, a expectativa de retorno é já. Enviou, quer resposta. A humanidade evoluiu. E a qualidade de vida, diminuiu. Vivemos mais. Mas com que qualidade?

A pressa fez do Homem um refém do próprio tempo.

Gosto de falar que existem três grupos de pessoas:

O primeiro grupo são pessoas responsáveis e comprometidas, são os FAZEDORES. Estão prontas para quando alguém lhes oferece um desafio, sair e executar. E a cada desafio que recebem, se superam. Conquistam clientes para empresa, implementam projetos, desafiam-se constantemente, vão lá e resolvem. Ajudam amigos, colegas, a família, e quanto mais ajudam, mais são reconhecidas por todos como bom amigo, bom colega, bom filho, boa mãe, e tem com isso uma sensação boa. Hormônios do prazer são liberados sempre ajudam os outros. E como se sentem bem, fazem faz de novo…e de novo…e de novo…E passam a maior parte do seu tempo trabalhando para os outros. E não há mal algum se também reservassem tempo para a família, para conviver com os filhos, para cuidar da saúde com esporte, lazer, alimentação, sono, enfim, se fizessem o mesmo que fazem para os outros, por si mesmo. O resultado de não cuidar de si é o desequilíbrio entre vida profissional e pessoal, senti isso na pele quando gerenciei a área comercial em três estados. Minha vida virou um caos! Me senti escravo do meu próprio tempo. Sou um exemplo vivo deste grupo.

Nos cursos que ministro as reclamações que mais ouço são: Falta tempo para conviver com os filhos, com os amigos, com a família, para cuidar da saúde, para estudar e ansiedades. Vida corrida, refeições na rua, fast-foods, e voltam para casa tarde porque “precisam trabalhar”. No fundo, no fundo, existem vários motivos. Dos financeiros aos emocionais. Muitos reais. As pessoas deste grupo devem estar pensando agora, “que texto longo este”. Essas pessoas, deixaram ou nem adquiriram o hábito de ler com calma, com tempo, com prazer.

Já o segundo grupo é composto por pessoas que dizem “EU MEREÇO”. São as pessoas que não estão dando conta de viver dentro de si mesmos no primeiro grupo e pulam para o grupo dois na busca por sair da correria frenética ou ter algum momento de sossego e lazer, lotam os bares nos Happy Hours, Shopping Centers nos finais de semana, e as escolas de especializações. Vivem no suspiro do “Eu mereço!” ou “Eu preciso!”.

Frequentemente em sessões de coaching e Worskshops eu faço a seguinte pergunta: o que você sabe que se fizesse consistentemente, poderia mudar sua vida pessoal e profissional para melhor. As pessoas respondem com exatidão cirúrgica. Logo em seguida, pergunto: Então, se vocês sabem o que poderia melhorar a suas vidas, porque não fazem? E o silêncio toma conta da sala. Não fazem porque existe um padrão comportamental que vem de uma base condicionada de comportamento, que se originou em algum momento de sua vida. Muitas vezes, na infância. E para quebrar esse padrão é preciso autoconhecimento e um profissional capacitado para identificar padrões e ressignificar experiências e emoções.

E o terceiro grupo estão as pessoas de SUCESSO. São pessoas que conseguiram sair dos grupos um e dois. No Workshop Pernas para Felicidade trabalhamos esse ponto onde vivem as pessoas que vestem-se de coragem e que dão um basta na correria, deixam de ser reféns do tempo, e organizam sua vida com base em prioridades, dentro da caminhada do autoconhecimento. Através desse caminho, que muitas vezes é árduo, pois há muitas vezes uma desconexão entre corpo e mente. Por outro lado, quando conseguem encontram equilíbrio em suas vidas. Fazem isso na empresa e na familia. Este grupo de pessoas realiza qualidade de vida, desfruta os amigos, os filhos, os parceiros, viaja, conquista liberdade financeira, tem saúde e dinheiro ao mesmo tempo, coisa que não acontece nos grupos um e dois. Transformam suas vidas!

A boa notícia? As escolha de ir para o grupo três é de cada um de nós. As respostas estão todas em nós, basta acessar e descobrir. Houve um tempo que eu tive uma meta relacionada a pressa. Sim, é isso mesmo! Ahhh Renato mas Metas não tem que ser específicas bláblábla…sim, tem! Mas essa é outra história. Hoje quero compartilhar com você essa meta assim, desse jeito. Minha meta era “Não ter pressa em nenhum momento do meu dia, durante todo ano”. Foi tão bom que passou a ser um princípio de vida meu. Eu escolhi esse princípio, tinha significado para mim. Claro que ainda me pego com pressa às vezes, só que agora eu identifico rapidamente e posso mudar a minha rotina quando isso acontece. Uma libertação. Vivo uma vida nova, um dia de cada vez.

O nosso maior desafio é viver o Kairós em um mundo cada vez mais Chronos…escrevendo este texto, fechei os olhos e respire, para me sentir. E senti prazer, meu coração está sereno, estou sem pressa, vivendo o meu momento Kairós em fazer o que amo, um dia de cada vez…