O CONTEÚDO E A FORMA

Vivemos todos os dias situações que envolvem críticas pequenas. Líderes criticam suas equipes, pais criticam filhos, casais criticam-se entre si. Mas como fazer da melhor forma?

Gosto de comparar a pequena crítica com uma pequena ferida. Ambas, embora pequenas, dóem e irritam. Se você coça e tira a casca da pequena ferida, ela pode aumentar. Alguns “doutores” adoram meter o dedo na ferida alheia, e só as tornam piores, transformando a feridinha em uma inflamação, que pode evoluir e ficar grave.

Quantas vezes, por acreditar que estamos fazendo a coisa certa, “coçamos” os erros alheios e expomos alguém? Mas era só um errinho…e pimba! Erro coçado, ferida aberta. Confusão armada. Vou contar um exemplo.

Esta semana uma coachee que é diretora financeira de uma grande empresa me contou que durante a reunião com seus pares falou para o diretor comercial que as vendas estavam muito baixas e o questionou sobre o que ele iria fazer diante de todos.

Depois disso, me disse ela:

  • “Fui colocada na geladeira”. Faz um mês que ele não fala comigo.

Ela não entendia o que havia ocorrido e parecia não estar se dando conta sobre a forma como conduziu a crítica. E me relatou em sessão:

  • “Renato, eu tinha razão. Eu estou certa. Ele não está vendendo. Por que ele agiu dessa forma comigo?

Em meu papel de coach, respondi com uma pergunta: Como você acha que ele se sentiu diante de seus pares quando você mostrou uma fragilidade dele? Ela ficou pensativa. Ótimo, pensei eu.

Nunca saberemos ao certo, mas podemos analisar esse contexto e deduzir que ele se sentiu exposto, ferido, ameaçado e distanciou-se da colega por um mecanismo de defesa e sobrevivência.

Muitas vezes, podemos até estarmos certos, mas quando mostramos os erros dos outros, acabamos por expor alguém diante de um grupo de pessoas. E isso pode aumentar a ferida.

O melhor teria sido procurar uma solução e propor em forma de ajuda. Dar apoio ao seu colega, oferecer sua ajuda para o que ele precisasse. Ou ainda, considerar a possibilidade de falar com ele individualmente. Como regra geral, expor as pessoas pode trazer sérios danos aos seus relacionamentos.

Por outro lado, enquanto “coçamos” a ferida de alguém, as nossas hibernam como ursos, intocáveis. Enquanto temos um dedo apontado para o outro, temos três dedos apontados para nós. Por isso cabe lembrar que as mesmas feridas que vemos nos outros, temos em nós. Continuamos alimentando esse padrão crítico e não evoluímos.

Clientes, colegas, líderes, casais, erram. Eu e você também erramos. Ser correto e agir conforme a nossa consciência é digno, mas improdutivo se feito de forma equivocada.

O conteúdo é importante, mas a forma é o GRANDE DESAFIO.

Aprender a falar com verdade sem coçar as pequenas feridas alheias é um grande passo no desenvolvimento pessoal e profissional. Que tal a partir de hoje propor soluções sem criticar e expor as pessoas envolvidas?

As “feridas” depois de abertas não cicatrizam de uma vez só. Aja preventivamente, prepare-se para fazer da “melhor forma”.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *