Freud estava errado?

Você já parou para observar que vivemos um grande drama em nossa sociedade? Um drama pouco conhecido por muitos que o vivem.

Há um medo, uma violência social e um descaso instalado profundamente. A grande comunidade em que vivemos, com exceções, está vazia. O vazio predominou ao preenchimento e está mais próximo de nós do que podemos imaginar.

Os jovens estão indefiníveis em seu espírito, esgaçados em sua mente e apertados em seu coração. Os adultos, também. Sofrem silenciosa e individualmente e travam uma guerra com seus relacionamentos. Não são todos, mas a maioria esmagadora. E se você convive com algum deles, em alguma intensidade nesse contexto você está inserido.

Nós precisamos despertar para um novo jeito de viver. Iniciar uma jornada em busca de ser o que nascemos para ser. Uma luz nova precisa ser encontrada. Uma forma nova que nos traga possibilidades e inspiração. Enquanto não despertamos, estamos sendo infiéis a nós mesmos à medida em que não rompemos e mantemos compromissos destrutivos.

A imutabilidade é violenta quando propõe que continuemos fazendo o que fizemos no passado. A tradição e a cultura trazem consigo a honra a nossos ancestrais, cultuam a qualidade e o que deu certo. Por outro lado, anulam nossa alma evolutiva e os nossos desejos mais profundos. Seremos mais saudáveis ao aprender a romper com partezinhas de nossa cultura e tradição pelas demandas do futuro e não só pelas demandas do passado.

Mira y Lopes, Médico Psiquiátra e Psicólogo, Sociólogo, Professor de Psicologia e Psiquiatria na Faculdade de Medicina de Barcelona, após prestar relevantes trabalhos a consolidação da psicologia no Brasil, disse em seu leito de morte, no Rio de Janeiro: Freud está errado. Não é o sexo quem governa o Ser Humano. Quem governa o Ser Humano, e quem modela o seu comportamento, é o Grande Gigante da Alma, o MEDO.

Partindo desse ponto, poderíamos trazer como hipótese que não é o pênis que modela o homem. É o medo de não sustentá-lo rígido. Não é o desejo sexual que norteia as ações do homem e da mulher, é o medo de ficar sozinho. Não é o sexo que destrói ou constrói uma vida, é o medo de viver. Ou Freud estava certo e não é nada disso?

Esse medo, que se enraíza em nossos corações nos protege como uma gaiola protege seu passarinho, permanecemos com uma falsa sensação de proteção sem conseguir sair da gaiola para viver o mundo lá fora. Mesmo com a portinha aberta, achamos que é uma cilada, e que no desconhecido há sempre uma armadilha a ameaçar a nossa ilusão de segurança e certeza. O medo em alta intensidade nos deixa preso e apertado, literalmente sem ar.

O medo é a mais atávica, natural, hereditária de nossas emoções.

O medo é o Grande Gigante da Alma. Mira y Lopes

Somos educados para o medo, para não ousar, no entanto os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões. Somente a coragem pode trazer o novo e a paisagem vasta que existe do lado de lá do muro que erguemos dentro e fora de nós mesmos.

E se CRISTO não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse optado por não adentrar nas profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse ousado a distorcer as formas e olhar como quem tivesse mil olhos?

Vivemos hoje uma inibição psicológica, quase um palperismo na personalidade da mocidade que se coloca desconectada de sua essência, adormecida e por isso se sente sem poder individual e precisa consumir, consumir, consumir, para se sentir com valor e aceito no meio em que vive. As novas gerações perderam a capacidade de existir, a autoconfiança, o entusiasmo, buscam isso fora de si e viraram escravos do conhecimento externo.

Estamos dormindo, precisamos despertar e nos reencontrar, resgatar a essência e liberar nosso espírito. Vamos conseguir isso mergulhando em nosso modo operante de ser. É urgente romper esse padrão que se originou e cresceu por gerações. Com isso vamos aumentar nossa capacidade de amar, de sermos honestos com o que sentimos e desejamos, de fazermos a vida valer a pena para nós mesmos e para quem convive conosco.

Acredite que tem a resposta certa ou já sabe o caminho e não conhecerá a sua verdade. O caminho verdadeiro está dentro, em nossas conexões neurais que nos fazem sentir. É preciso, de alguma forma, agir com esse nível de profundidade.

Pare. Medite. Observe. A humanidade está covarde e nem sabe. Romper a barreira do medo é romper com fantasias inexistentes, com verdades para tudo, com a ficção do espírito, com os julgamentos, com a tabulação da alma, com o que não existe.

Rompendo com medos invisíveis, nós estaremos nos fortalecendo interiormente, aumentando a nossa capacidade de Ser, nosso influxo no meio social. Expandindo nossas realizações e nosso espírito.

Rompendo com medos invisíveis, estaremos saindo de limites muito estreitos, purificando a alma. É uma forma de rebustecimento interior. Numa expressão Sartriana, estaremos deixando de viver em um mundo hostil.

Rompendo com medos invisíveis, não precisaremos mais aprender feedbacks nas empresas, nem usar do silêncio e da cegueira nos ambientes familiares, e assim o diálogo será possível. Talvez assim surja uma aproximação das pessoas e um mundo mais real e amoroso.

Será o sexo ou o medo o grande gigante da alma? Dentro de um pensamento ontológico, poderemos trazer muitas variáveis e certamente identificaremos verdades tanto em Freud quanto em Mira y Lopes. Talvez visitando os dois saberes possamos encontrar a nossa verdade, neste momento. E que pode não ser a verdade um segundo depois. Sendo assim, hoje, em algum ponto, o que você acha…Freud ou Mira y Lopes estava certo? Penso que não é produtivo pensarmos em quem está certo e errado.

O necessário é parar de falar e começar a agir, partir para a Jornada que importa, vencer os medos, sair da “gaiola”, acordar, sair do sono, do estado dormente, do estado de torpor ou de inércia; readquirir força e atividade; Despertar. Renascer. A vida cobra um preço muito alto para quem não acorda.

Eu não sei, mas você saberá sentir o momento certo de iniciar a sua Jornada! Hoje, ao deitar a cabeça no travesseiro para descansar, talvez você sinta seu coração. Escute ele. E sempre é tempo.

Renato Morais é Coach Ontológico, terapeuta e consultor empresarial.



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